Saúde e Bem Estar
 
 
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Consumo de álcool eleva riscos de câncer de mama

 
Flávio Novaes
 

    A revelação de um recente estudo realizado na Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, torna o álcool vilão em mais uma estatística ligada a danos à saúde. De acordo com a pesquisa, bastam três singelos copos de cerveja, de 200ml cada, ou meia dose de uísque – ou de outra bebida destilada – por dia para potencializar os riscos de câncer de mama.

 

    A taxa de mortalidade por câncer de mama, de acordo com o Ministério da Saúde, segundo os dados mais recentes divulgados, aumentou 38,62% entre 1979 e 2004. E a doença representa hoje a principal causa de morte por câncer entre as mulheres brasileiras, com aproximadamente dez mil mortes anuais.

 

    Os resultados dos trabalhos americanos mostram que o álcool é o responsável pelo aumento dos níveis de estrogênio, hormônio que estimula o desenvolvimento de tumores, o que, na prática, significa 70% dos cânceres de mama.

 

    Os riscos causados pelo casamento álcool e estrogênio podem ainda crescer 51% no caso das mulheres que bebem três ou mais doses de álcool por dia. Aquelas que bebem até duas doses, por sua vez, têm 32% a mais de chance de desenvolver a patologia. “O álcool interfere no metabolismo da mulher e o estrogênio estimula o crescimento mamário”, afirma o oncologista João Nunes. "E nos casos em que a mulher tem câncer, o hormônio funciona como uma espécie de alimento para o tumor", completa.

 

    Para chegar aos números, foram necessários o acompanhamento e a análise de informações, durante aproximadamente sete anos, sobre o consumo de álcool de cerca de 185 mil mulheres na fase pós-menopausa. E segundo Nunes, é difícil identificar a evolução e a relação entre o álcool e o hormônio no dia-a-dia de atendimento no consultório. “A pesquisa é importante, pois traz informações que não conseguimos apreender durante o nosso trabalho”, salienta.

 

    Cerveja, uísque, vinho, vodka ou cachaça. Os especialistas explicam que é indiferente o tipo da bebida para uma incidência – ou risco – do câncer de mama. “A interação entre o etanol do álcool e o estrogênio é que provoca o desenvolvimento do câncer”, explica.

 

Maior incidência depois dos 35 anos

 

    Dados do Ministério da Saúde revelam que o câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais incidente entre as mulheres, perdendo apenas para o de pele. Segundo dados do Instituo Nacional do Câncer (Inca), há um risco estimado de 52 casos da doença para cada grupo de cem mil mulheres. As mulheres que integram o grupo de população-alvo são aquelas com mais de 35 anos e com histórico da doença na família.

 

    Mamografia é o exame que detecta a doença. O ministério afirma que realizou aproximadamente 2,6 milhões de exames no ano passado, quando foram identificados 50 mil novos casos de câncer de mama. Segundo o instituto, a descoberta precoce da doença reduz em até 35% a possibilidade de morte. Porém mais de 60% dos casos de câncer de mama são detectados em estágios III e IV em uma escala de I a IV.

 

Fonte: Correio da Bahia

 
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